sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A tal autenticidade

Será que somos autênticos como gostaríamos de ser? Qual o preço a ser pago para assumirmos a nós mesmos?

Vejamos...

A situação se complica em nossa infância, quando começam as malditas comparações que os adultos nos impinge. "Você viu, como a Ritinha é boazinha?! Você deveria ser educada como ela." - Ouvimos isso, sabendo que a Ritinha esconde muito bem sua malandragem do mundo adulto, buscando o apreço deles. Anos depois, Ritinha com sua habilidade super desenvolvida de manipulação dos egos alheios, é vista, por uma maioria cega e superficial, como a "garota legal". E, realmente, olhando num primeiro momento, veremos ela sendo sempre solícita com seus colegas, amigos e família. Mas, observando bem de perto, veremos um grande medo de ser rejeitada, uma autoestima baixíssima; um ego que precisa do aprovação da sociedade para se sentir bem quisto. Mas, ela própria ainda não se deu conta do papel que aceitou interpretar desde criança. Suas frágeis convicções, só serão abaladas quando a vida lhe trouxer uma série desilusões... com as pessoas, situações, com ela mesma.

É, a autenticidade foi colocada em segundo plano pela necessidade de ser "querida". "Querida" entre aspas mesmo, pois, quem gosta, realmente, do outro, aceita-o integralmente; sem intenções veladas de transformá-lo no que o convém (atitude mesquinha, usada por mulheres levianas para a subjugação masculina; mas isso é um outro assunto). O "gostar", geralmente, está condicionado no que uma pessoa pode proporcionar ao outro, seja, materialmente ou emocionalmente. Caso ela deixe de oferecer, volta-se o foco para o próximo da fila, como, vulgarmente, as pessoas dizem hoje. (Isso também acontece, com frequência, entre amigos e familiares.) Em suma, muitas pessoas, em sua ignorância, fingem que gostam umas das outras, e tudo não passa de um mercantilismo disfarçado de "amor". (Já escrevi sobre isso no post anterior.)

Agora, respondendo as perguntas do início do texto:

Ainda não sou tão autêntica como gostaria; caminho diariamente nesse sentido.

O preço a ser pago, a princípio, é alto. É difícil permanecer autêntico, quando percebemos que o número de pessoas que nos aceitam incondicionalmente, é extremamente restrito. Porém, a alegria e a força que brotam da Alma e nos sustenta em cada momento que somos inteiros, compensa completamente. Além disso, o Amor-próprio não nos deixa sentir sozinhos, na verdade, sentimos cada vez menos necessidade de termos outros ao nosso redor. É muito prazeroso estar com quem amamos, mas é profundamente enriquecedor estar em companhia de nós mesmos.



"A liberdade é a possibilidade do isolamento. És livre se podes afastar-te dos homens, sem que te obrigue a procurá-los a necessidade de dinheiro, ou a necessidade gregária, ou o amor, ou a glória, ou a curiosidade, que no silêncio e na solidão não podem ter alimento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo. "

Fernando Pessoa

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